Hoje quero falar de um assunto que me preocupa muito: a mistura de insulinas e a escolha correta da seringa para este procedimento.
A mistura de insulina é comum tanto na instituição hospitalar como em casa. Ela pode ser feita sem problemas, permitindo que o paciente receba apenas uma injeção, mas não com a utilização de qualquer seringa.
As seringas com espaço morto NÃO podem ser utilizadas.
Segundo Souza e Zanetti (2000) espaço morto corresponde ao espaço que existe entre o final do êmbolo e o bico da seringa, onde ocorre o encaixe da agulha. Neste local pode ficar retido uma pequena quantidade de insulina (aproximadamente 4 UI), que não é injetada durante uma aplicação.
Ou seja, quando usamos este tipo de seringa para realizar uma medicação, o espaço morto é preenchido com a solução, mas ao injetarmos, este espaço continua preenchido, indicando que aquela quantidade não foi administrada ao paciente.
Porém, quando misturamos insulinas com esta seringa, o espaço morto é preenchido com a primeira insulina aspirada. Então, ao aspirarmos a segunda insulina, a quantidade da primeira insulina que preencheu o espaço morto é aspirada para dentro da seringa. Isto faz com que a quantidade da primeira insulina aumente de 3 a 5UI (dependendo da marca da seringa).
Diante disso, ao se misturar insulinas devemos usar seringas agulhadas, como as mostradas na imagem abaixo:
![]() |
| Seringa 1m - BD |
Veja no desenho abaixo a diferença do tamanho do espaço morto entre seringa sem agulha e seringa agulhada.
Gente, infelizmente, não adianta insistir - não há como misturar insulinas utilizando seringas com espaço morto - nenhuma estratégia resolve esse problema. O paciente terá que tomar duas injeções: uma com a insulina rápida e outra com a lenta!!!!
Obs.: Nem todos os tipos de insulinas podem ser misturados, mas isso será assunto para uma outra postagem, onde falarei também da técnica de mistura.
O que achou desta postagem??? Ficou claro para você??? Ainda tem dúvidas??? Então vamos conversar, deixe seu comentário!
Abr@ços!!
Débora
Fontes consultadas:
- Soares, A. M. G.; Moraes, G. L. A.; Soares Neto, R. G.; Marques, M. B.; Silva, M. J. TECNOLOGIA ASSISTENCIAL NA PROMOÇÃO DA SAÚDE: CUIDADO E AUTOCUIDADO DO IDOSO INSULINO-DEPENDENTE. Rev. Rene. Fortaleza, v. 11, n. 4, p. 174-181, out./dez.2010. Disponível em: http://www.revistarene.ufc.br/revista/index.php/revista/article/view/445/pdf
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Aplicação de insulina - aspectos importantes na aquisição do produto, do preparo até a efetiva aplicação [Internet] 2007 [citado 2008 mar 20]; [cerca de 9p]. Disponível em: http://www.diabetes.org.br/Colunistas/Enfermagem_atual/index.php?id=1272.
- SOUZA, C.R.; ZANETTI, M.L. Administração de. insulina: uma abordagem fundamental na educação em diabetes. Rev.Esc.Enf.USP, v.34, n.3, p. 264-70, set. 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v34n3/v34n3a07




Alguns profissionais citam que realizar
ResponderExcluirUma ou duas unidade de insulina seja regular ou NPH utilizando a seringa que contem espaço morto não adianta tendo em vista que a maioria do conteúdo fica la após aplicação . Verdadeiro ou falso?
Falso. O espaço morto não interfere no volume de medicação. Se você aspirar corretamente, o conteúdo do espaço morto permanece no espaço morto. Aspirar corretamente significa preencher todo o espaço morto e ao mesmo tempo aspirar até o volume indicado. É preciso prestar muita atenção e olhar através do canhão da agulha para ver se o espaço morto está preenchido. Se assim for não há problema, caso contrário logicamente o volume da medicação irá ficar no espaço morto. Não sei se fui clara!! Vou tentar fazer umas fotos para tentar explicar isso.
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